Arquivo mensal: janeiro 2013

Manifesto da ANECS

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Assentamento Milton Santos

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Na madrugada dessa quarta-feira (23/01/13) cerca de cem moradores do assentamento Milton Santos ocuparam o prédio do Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Os manifestantes já haviam, desde o dia quinze, ocupado o prédio do INCRA-SP (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), devido à possibilidade de reintegração de posse do lugar onde vivem e produzem, há sete anos, sessenta e oito (68) famílias.
O assentamento foi regularizado em 2006, pelo então presidente Lula, e a ocupação do instituto que leva seu nome se dá com o fim de pressionar o ex-presidente a se posicionar ao lado dos assentados, estabelecendo um diálogo com a presidenta Dilma Rousseff para que assine decreto de desapropriação por interesse social, último recurso jurídico possível. O terreno se localiza em Americana, interior de SP, e pertencia a uma família de empresários que o perdeu devido à dívidas trabalhistas. Hoje, mesmo depois de regularização do assentamento, os antigos proprietários recuperaram o direito de posse na justiça e as famílias que lá vivem correm o grave risco de perder suas casas e anos de dedicação e trabalho que empregaram naquela terra.
Diante disso, a ANECS – Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais –, tendo como uma de suas bandeiras a luta contra as remoções urbanas e rurais, declara seu total apoio à luta do assentamento Milton Santos. Nos solidarizamos com a luta dessas cerca de setenta famílias e nos somamos à elas em coro, pedindo à presidenta Dilma Rousseff, que desaproprie o terreno por interesse social imediatamente, garantindo assim, não só o direito elementar de moradia e a manutenção do modo de vida de centenas de pessoas e de todos que são por elas beneficiados, mas também uma das conquistas democráticas de reforma agrária que se veem gradualmente ameaçadas em nosso país.

http://www.assentamentomiltonsantos.com.br/

Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais

Nota de solidariedade pela morte de Samambaia

Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais – ANECS se posiciona contra o descaso ao falecimento do estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco Raimundo Matias Dantas Neto, mais conhecido como “Samambaia”. O estudante saiu de casa na quinta-feira (3), seu corpo foi encontrado na madrugada de sexta-feira (4) na praia de Boa Viagem. Apesar da família tê-lo procurado no Instituto Médico Legal, somente teve ciência do fato por uma matéria exibida na TV. Ao procurar o corpo no IML, a família foi impedida de vê-lo. Há incongruências entre o laudo, a fala da perita e a foto de como o corpo chegou ao IML. Contrariando a fala da perita, que disse que o corpo estava intacto, sem sinal de qualquer violência, na foto o estudante aparece sem camisa, com a bermuda rasgada, escoriações pelo corpo e pescoço deslocado. Tais incongruências contribuem para vários questionamentos acerca da morte de Samambaia. O que motivou tamanha crueldade? Porque tantos impedimentos no acesso da família ao corpo? Porque tanta insensibilidade permeando a burocracia ao tratar da morte desse estudante?
Vale ressaltar que estamos falando de um estudante NEGRO. Conforme constatações, seu corpo foi encontrado com claras marcas de tortura, parte dos seus dreads foram arrancados. O caso de Samambaia não pode representar apenas mais um caso, em meio a tantos, de crime hediondo e racista!
Tendo em vista a maneira desumana com que a morte do estudante foi tratada no IML, a ANECS vem através desta nota registrar solidariedade e firmeza junto à familia do Samambaia e repudio à impunidade no caso da morte do estudante e a qualquer forma de opressão e violência racista. Imagem

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