Arquivo da categoria: Campanha

CONTRA OS TROTES MACHISTAS!

CONTRA OS TROTES MACHISTAS!

04 de março de 2013.

Na tarde de terça-feira, cerca de 40 manifestantes protestavam contra a realização do “concurso de beleza” intitulado “Miss bixete”. A manifestação era pacífica, pois contava apenas com batuques e palavras de ordem de cunho feminista. Durante a manifestação participantes do concurso, calouros, veteranos de diversos cursos proferiram comentários agressivos e homofóbicos e alguns deles tiraram suas roupas, satirizando a manifestação do grupo feminista.
Devido ao ocorrido, as Mulheres da ANECS (Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais), REPUDIA tal atitude e o concurso “Miss bixete”. REPUDIAMOS esse concurso pois ele está fundamentado no machismo, constrange calouras, reproduz a idéia de que a mulher é mercadoria e que ela é propriedade dos homens, sendo submetidas a todas as vontades do mesmo.
É muito provável que os calouros vão reproduzir a atitude dos veteranos, vão promover sempre esses concursos “Miss bixete”, vão ridicularizar suas companheiras de sala e não fica restrito ai. Em suas casas, quando tiverem suas mulheres ou namoradas, vão tratá-las como mercadorias TAMBÉM! Reproduzindo SEMPRE o machismo, se colocando “em seu direito como MACHOS” e se necessário até as agridem pois elas os pertencem – segundo a lógica do patriarcado.
As Mulheres da ANECS repudiam qualquer tipo de trote machista no qual há constrangimento de calouras. Esses trotes devem ser severamente repudiados e combatidos pelo M.E, como uma pauta também essencial para o respeito e o avanço das discussões feministas junto aos demais companheir@s.

“Sendo homens e mulheres seres complementares na produção e na reprodução da vida, fatos básicos da convivência social, nenhum fenômeno há que afete a um, deixando de atingir o outro sexo.” (H. Saffioti)

Mulheres da ANECS

mulheresda anecs logo geral

ENADE

Nota de esclarecimento: sobre a ação do MEC em cancelar o processo seletivo 2013 do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia.

Nós, alunos do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia, viemos por meio desta, esclarecer a comunidade interna e externa, a nota publicada pelo Ministério da Educação (MEC) acerca da suspensão do vestibular do ano de 2013, referente ao rendimento do curso que se apresentou inferior ao valor mínimo exigido na avaliação de 2008 e 2011. Para examinar os cursos de graduação, o MEC faz uso do Conceito Preliminar de Curso (CPC) que avalia o rendimento dos discentes, docentes e infraestrutura, sendo um dos indicadores o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Neste instrumento é avaliado o conhecimento do ensino superior na sua especificidade, porém há uma incompatibilidade na avaliação, pois os instrumentos desta não corroboram com as condições reais e estruturais do ensino superior.
O indicador que avalia o corpo docente e a infraestrutura ocorre com a visita de um representante técnico do Ministério da Educação. Entre 2001 e 2005 o curso de Ciências Sociais passou por uma profunda reestruturação do Projeto Político Pedagógico, grade curricular, corpo docente e infraestrutura. Desde 2003 o MEC não envia tal representante para avaliar as condições atuais do curso, que em 2010 teve implantado o curso de pós-graduação, e em 2011 se tornou uma unidade acadêmica (INCIS).
Há a necessidade de avaliação dos cursos de graduação, porém o ENADE é um exame meritocrático e vertical que visa única e exclusivamente a estratificação e ranqueamento dos cursos dos Institutos de Ensino Superior (IES) que ao invés de avaliar de fato os cursos através de um critério pedagógico, acaba assumindo um caráter punitivo a aqueles que obtêm notas baixas. Sendo assim, nos perguntamos se o correto não seria entender o porquê de tais resultados ao invés de penalizar.
Acreditamos que o ENADE não contempla a diversidade do curso e não atende as demandas locais, pois faz uso de instrumentos precários, obsoletos e limitados. Mediante nossa insatisfação quanto à avaliação, os estudantes de Ciências Sociais traçaram estratégias para melhor conter e solucionar esse quadro, tais como: debates e assembleias que resultaram no boicote ao exame.
Dessa forma entendemos que, a ação do MEC em interditar o processo seletivo consistiu em uma atitude precipitada e insuficiente, uma vez que a visita de um representante do Ministério da Educação não foi feita, impossibilitando assim a real avaliação do curso de Ciências Sociais – UFU. Solicitamos então a presença do mesmo, para que possamos de uma maneira democrática debater e apresentar as nossas reivindicações.

Assinatura: Centro Acadêmico de Ciências Sociais,

Gestão: “Há quem sambe diferente”

Uberlândia
20 de dezembro de 2012

ANECS Uberlândia aproxima movimento estudantil, movimento sem teto, e sindicato dos eletricitários

ANECS Uberlândia aproxima movimento estudantil, movimento sem teto, e sindicato dos eletricitários

Relatoria e próximas atividades do Comitê Elisson Prieto de apoio à ocupação no glória:

Esteve presente além das entidades e pessoas que compõem o comitê o Sindeletro-sindicato dos eletricitários. Avançamos nas relações sindicato dos elestricistas, movimento dos sem teto do Brasil e Movimento estudantil.

• Informes:
• Leitura da nota conjunta dos segmentos da UFU (DCE-Sintet-ADUFU) ressaltando a importância da ocupação:

Encaminhamento: A adufu sugeriu alterações, alguns membros do comitê vão na adufu esclarecer sobre a nota e finalizar a articulação para sair a nota;

• Atividade sindeletro:

– O sindieletro fará uma atividade de debate sobre a importância e funcionamento do setor elétrico, bem como suas condições de trabalho e sua luta, na quinta 9 hrs da manhã, no estacionamento externo do CRIU (Campo regional integrado de Uberlândia).
– O sindeletro esteve presente e vai integrar a luta pela moradia.

• Ocupação glória e grupo de formação:

– Os universitários, e demais interessados, integraram um grupo para pensar a formação dos ocupantes do glória; o objetivo é ajudar no entendimento da condição social atual no mundo.
-> Inicialmente o grupo de formação vai até a ocupação na reunião do próximo domingo que acontecerá às 16 hrs.

• Próximas atividades do comitê:

– Reunião próxima terça (27.11) 19 hrs no CC-santa mônica;
– Reunião do grupo para pensar formação no glória, próxima terça (27.11) 20 hrs no CC-santa Mônica;

• Informações:
1) Endereço da atividade sindeletro: criu/Cemig, Av. cel josé Teófilo carneiro, 2777 – distrito industrial.
2) Como chegar à ocupação: da tubal vilela/terminal central pegar ônibus 909; do terminal santa luzia 127 ou 126; fica no final do são Jorge, as ruas do são Jorge quase todas acabam na ocupação, perguntar aos moradores onde é a ocupação se necessário.

ANECS pelo fim do massacre ao povo indígena brasileiro!

A ANECS na luta pelo fim do massacre ao povo indígena brasileiro

Soy un ser humano
Soy indigena quando oprimen a los indigenas
Soy obrero quando oprimen los obreros
Soy estudiante quando oprimen los estudiantes
Soy Camilista quando maltratan el Pueblo”
Camilo Torres

Diante dos últimos acontecimentos no Mato Grosso do Sul e em vários outros estados do Brasil em relação à questão indígena, a Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais (ANECS), resolveu escrever essa nota pública:

Há mais de 500 anos os indígenas brasileiros vêm sofrendo uma constante espoliação de suas terras e sendo assassinados. Os indígenas do Mato Grosso do Sul perderam a paciência com o que talvez seja a maior tragédia atual conhecida na questão indígena do mundo. Cansados da cumplicidade do poder público com esta situação, os indígenas Guarani-Kaiowá reunidos em um Aty-Guasu, espécie de conselho político indígena, decidiram retomar todas as áreas indígenas do Mato Grosso do Sul que estão com a homologação suspensa por uma liminar no STF (Supremo Tribunal Federal).

Realizaram assim uma retomada em Paranhos (MS), em uma área onde foi oficialmente reconhecida como indígena em 2009, porém o STF suspendeu a homologação dessa terra. Participaram da ação 200 indígenas, entre eles mulheres e crianças. Houve conflito com homens armados e, segundo os índios, o indígena Eduardo Pires, de aproximadamente 50 anos de idade, estaria desaparecido desde então. A morte de um bebê de nove meses de idade, este foi pisoteado durante fuga dos indígenas dos disparos dos peões, também é considerada pelos guarani e reconhecido pela FUNAI como resultado do ataque ao grupo durante a ocupação. Desde então os fazendeiros do Mato Grosso do Sul declararam guerra aos indígenas, e prometeram muito derramamento de sangue já para essa semana (19 a 24 de agosto de 2012). vejam o vídeo: 

Antes de seguirmos em frente com esse fato, vamos entender um pouco a questão indígena no Mato Grosso do Sul. Esse estado da região centro-oeste, abriga a segunda maior população indígena brasileira (73.295 pessoas), sendo os Guarani- Kaiowá o maior grupo indígena do país (45 mil pessoas). Por outro lado, se encontra uma poderosa elite local fortemente associada ao capital transnacional financiadora do agronegócio. O agronegócio, um dos pilares da economia exportadora brasileira, ocupa boa parte das terras do Mato Grosso do Sul, muitas delas terras indígenas, transformado o estado em um mar de soja, cana de açúcar e pastagens para criação de gado bovino. Devido esse quadro vem se intensificando a situação de conflito entre fazendeiros e indígenas na região.

Porém, o movimento guarani-kaiowá pela recuperação das terras não surgiu agora, este é bem anterior, surge na virada dos anos 1980, no bojo da redemocratização. Ao longo das quatro décadas anteriores, os indígenas haviam visto seu território ser ocupado progressivamente por milhares de colonos vindos de vários cantos do País, com incentivo oficial, tanto do governo federal quanto do estado de Mato Grosso (a criação do Mato Grosso do Sul aconteceu em 1979). Nos anos 1970, intensificou-se o processo de expulsão das centenas de grupos locais para dentro de oito reservas indígenas que haviam sido demarcadas entre 1915 e 1928 pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI, substituído em 1968 pela Funai). No fim de 2007, a Funai assina, junto ao MPF, e com o testemunho das lideranças da Aty Guasu, um Compromisso de Ajuste de Conduta para resolver de uma vez por todas a situação das terras guarani-kaiowá. Uma estimativa inicial dos antropólogos envolvidos é de 600 mil hectares a serem identificados. Diante da demora nos processos de identificação, os guarani-kaiowá vem ocupando as terras reivindicadas para pressionar as autoridades. O resultado tem sido uma série de conflitos sangrentos, desde 2009. Sem uma ação mais contundente do poder público, mais problemas certamente continuarão a ocorrer.

Os números da violência contra os povos indígenas no Mato Grosso do Sul são assustadores. Em relatório anual publicado pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário), vemos que os assassinatos de indígenas no Mato Grosso do Sul são maiores do que os assassinatos de indígenas em todos os outros estados brasileiros. Durante os últimos governos (2003-2011) foram assassinados 503 indígenas no Brasil, e apenas no estado do Mato Grosso do Sul foram assassinados 279 indígenas, em porcentagem isso equivale a 55% do número nacional. Uma verdadeira situação de guerra, na qual morrem mais indivíduos assassinados no Mato Grosso do Sul do que em países em estado de guerra, como é o caso do Iraque. Enquanto no Iraque há 93 assassinatos para cada 100 mil pessoas, apenas na região de Dourados (MS) há 145 assassinatos para cada 100 mil pessoas. Este quadro do CIMI, faz uma comparação entre os assassinatos dos indígenas brasileiros e do Mato Grosso do Sul, anualmente:

 Existe uma omissão e morosidade por parte do Governo no que tange as homologações de terras índigenas. Se fomos fazer uma comparação das demarcações de terras por gestão presidencial, os Governos Lula e Dilma mostram os piores índices desde a redemocratização do país. Vejamos os dados do CIMI:

Diante deste quadro estarrecedor de violência ao povo indígena e de omissão e morosidade do governo diante das homologações de terras, da saúde indígena (morrem centenas de indígenas devido ao desassistência da saúde pública, desnutrição, mortalidade infantil..), dos suicídios (só entre os Guarani Kaiowá de 2001 a 2011 houve 555 suicídios), da violência sexual, do racismo e discriminação étnico culturais, dos atropelamentos de índigenas que estão acampados na beiras de estradas e dos próprios assassinatos, o CIMI e a ANECS consideram culpados os 3 poderes (executivo, legislativo e judiciário) de crimes contra os direitos humanos e culpados pela tragédia que nossos indígenas vem sofrendo.

Nós da Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais (ANECS), decidimos no XXVII Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais (ENECS) que aconteceu em julho de 2012 em Santa Maria-RS, que nossa principal bandeira geral seria a de remoções e despejos de populações urbanas e rurais. Entre as populações rurais, como vimos, os indígenas são os que mais sofrem com estas remoções devido a expansão do agronegócio e de grandes obras de matriz energéticas (vide Belo Monte), sendo na maioria das vezes expulsos de suas terras e durante os conflitos com os fazendeiros e com os próprios agentes do estado, assassinados.

Os estudantes de Ciências Sociais de todo Brasil não irão se calar diante de toda barbaridade que vem acontecendo com a população indígena no Brasil e principalmente no Mato Grosso do Sul. Portanto viemos a público denunciar toda a matança, todo o derramamento de sangue, todo esse genocídio que vem ocorrendo com os indígenas no Brasil. E para avançar na resolução desses problemas, no que os indígenas chamam de “bem viver”, a ANECS defende:

1 – Que seja homologada todas as terras indígenas no Brasil reconhecidas como tal.

2 – Que o governo brasileiro impeça o massacre anunciado no Mato Grosso do Sul que tende acontecer nos próximos dias. E que todos fazendeiros envolvidos sejam punidos.

3 – Abaixo a PEC 215! O objetivo da PEC 215 é levar para o Congresso Nacional a função de demarcação e homologação de terras indígenas, quilombolas e de áreas de conservação ambiental, que conforme a Constituição Federal são atribuições do Poder Executivo

4 – Pela Revogação da Portaria 303 da AGU. A Portaria 303 determina, entre outras medidas, que as terras indígenas podem ser ocupadas por unidades, postos e demais intervenções militares, malhas viárias, empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem consulta aos povos indígenas, quilombolas…

ANECS- Articulação nacional de estudantes de Ciências Sociais

Vidas atropeladas
À beira da estrada,
Na retomada,
No confinamento,
As vidas sofridas
De Kaiowá Guarani,
Vão sendo atropeladas,
Abreviadas,
Ceifadas!
É o caminho da cruz,
Do sofrimento,
Da luta,
Da esperança,
Da terra sem males!
(Egon Heck – Indígena do Povo Guarani e do Movimento Pela Vida, Terra e Futuro)
%d blogueiros gostam disto: